terça-feira, 25 de setembro de 2007

noite de saudade


"A Noite vem poisando devagar

Sobre a Terra, que inunda de amargura ...

E nem sequer a bênção do luar

A quis tornar divinamente pura ...


Ninguém vem atrás dela a acompanhar

A sua dor que é cheia de tortura ...

E eu oiço a Noite imensa soluçar!

E eu oiço soluçar a Noite escura!


Por que és assim tão escura, assim tão triste?!

É que, talvez, ó Noite, em ti existe

Uma Saudade igual à que eu contenho!


Saudade que eu sei donde me vem ...Talvez de ti, ó Noite! ... Ou de ninguém! ...

Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!!"


Florbela Espanca

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